quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Silêncio


Chega em casa. Fala um oi sem muito entusiasmo. Dá um selinho sem muita vontade. Antes. até cheirava os cabelos, abria portas, ditribuia sorrisos e abraços. Hoje só esse selinho sem graça mesmo. Faz tempo que estamos juntos. É isso. A magia acabou. O romance, acabou junto. Não adianta se arrumar. Nem mudar o cabelo. Pintar as unhas. Ou usar um nariz de palhaço. Ele não vai perceber. Não importa o que você faça. Você ficou sem graça. Ele perdeu o interesse. Se vão de carro. Liga o som. Fica o tempo todo mudando de músicas. se você dá sorte, rola uma mão na perna. Às vezes - nem isso. Ele não se arruma mais pra te ver. Você também, não. Perdeu a graça. A paixão apagou. Se vão à pé - é pior. Não tem a música do carro pra distrair. Só o mesmo silêncio de sempre. Tudo deixou de ser interessante. Você deixou de ser interessante aos olhos dele. Talvez, ele até tenha arrumada outra. Mas está tão acomadado com você que não vai te largar. Às vezes não. Mas se aparecer outra mais interessante, ele vai ficar assanhadinho por ela. Pega na mão. Às vezes não. Andar abraçadinho - só se for em caso de vida ou morte. Rir de coisas banais - nem pensar. Estão sempre cansados demais. Chegam na casa dele. A primeira coisa, é ligar a televisão e o computador. Você assiste TV. Ele mexe no computador. Ele cansa, desliga e deita ao seu lado na cama. Às vezes te beija com paixão - o que rende um amor muito gostoso. Às vezes nem te beija direito. Tira sua roupa. Se sacia. Dorme. Te leva embora. Com o mesmo silêncio cortante de sempre. Te dá um selinho. Os dois dormem. Você tenta conversar - é inútil. O silêncio fica cada vez mais insuportável. Você não sabe mais o que fazer. Toda vez que tenta conversar, os dois falam coisas que não deveriam. Os dois se magoam. Estão acomodados com a situação. Você pensa que não foi assim que sonhou. Ele diz que sempre foi assim, que nada mudou. Acomodados demais para fazer algo à respeito. Acomodados demais.

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