quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Eu não sei parar de te olhar....

Te olho nos olhos,
e você reclama que te olho muito profundamente. Desculpa.
Tudo o que vivi foi profundamente,
eu te ensinei quem sou
e você, foi me tirando os espaços entre os abraços,
guarda-me apenas uma fresta.
Eu que sempre fui livre, não importava o que os outros dissessem.
Até onde posso ir pra te resgatar?
Reclama de mim, como se hovesse a possibilidade de eu me inventar de novo.
Desculpa, se te olho profundamente,
Rente à pele, à ponto de ver seus ancestrais nos seus traços,
à ponto de ver a estrada muito antes dos seus passos.
Eu não vou separar as minhas vitórias dos meus fracassos.
Eu não vou renunciar a mim. Nenhuma parte.
Nenhum pedaço do meu ser: vibrante, errante, sujo, livre, quente.
Eu quero estar viva e permanecer te olhando profundamente.

(Poema - acho que - de Ana Carolina - pode ser encontrado lindamente recitado por ela no CD Multishow ao Vivo: Dois Quartos - faixa 9 - É isso Aí(The Blower´s Daughter))

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