quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Autodestruição

"Eu vejo aqui as pessoas mais fortes e inteligentes.
Vejo todo esse potencial desperdiçado.
A propaganda põe a gente pra correr atrás de carros e roupas.
Trabalhar em empregos que odiamos para comprar merdas inúteis.
Somos uma geração sem peso na história.
Sem propósito ou lugar.
Nós não temos uma Guerra Mundial.
Nós não temos uma Grande Depressão.
Nossa Guerra é a espiritual.
Nossa Depressão, são nossas vidas.
Fomos criados através da tv para acreditar que um dia seriamos milionários, estrelas do cinema ou astros do rock.
Mas não somos.
Aos poucos tomamos consciência do fato.
E estamos muito, muito putos.
Você não é o seu emprego.
Nem quanto ganha ou quanto dinheiro tem no banco.
Nem o carro que dirige.
Nem o que tem dentro da sua carteira.
Nem a porra do uniforme que veste.
Você é a merda ambulante do Mundo que faz tudo pra chamar a atenção.
Nós não somos especiais.
Nós não somos uma beleza única.
Nós somos da mesma matéria orgânica podre, como todo mundo."

"Você não é o seu trabalho.
Você não é o quanto tem no banco.
Nem as roupas que veste.
Escolha não ter uma TV grande
Nem baixo colesterol,
Nem um abridor elétrico de latas...
Muito menos uma casa de dois andares em
uma rua arborizada e ter filhos que só tiram A+.
As coisas que você possui acabam te possuindo.
Você só realmente será livre após perder tudo...
Pois então não terá o que perder, e enfim, se encontrará livre."


"Se você está lendo esse aviso, então isso é para você. Cada palavra lida deste texto inútil é um segundo perdido da sua vida. Você não tem mais nada para fazer? Sua vida é tão vazia que você não consegue vivê-la melhor? Ou você está tão impressionado com a autoridade que você respeita todos aqueles que a exercem em você? Você lê tudo o que deveria? Pensa tudo o que deveria? Compra tudo o que lhe dizem para comprar? Saia do seu apartamento. Pare de comprar tanto e de se masturbar tanto. Peça demissão. Comece a brigar. Prove que você está vivo. Se você não fizer valer pelo seu lado humano, você se tornará apenas mais um número. Você foi avisado..."


Retirado do filme: "Clube da Luta" - muito bom!!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Silêncio


Chega em casa. Fala um oi sem muito entusiasmo. Dá um selinho sem muita vontade. Antes. até cheirava os cabelos, abria portas, ditribuia sorrisos e abraços. Hoje só esse selinho sem graça mesmo. Faz tempo que estamos juntos. É isso. A magia acabou. O romance, acabou junto. Não adianta se arrumar. Nem mudar o cabelo. Pintar as unhas. Ou usar um nariz de palhaço. Ele não vai perceber. Não importa o que você faça. Você ficou sem graça. Ele perdeu o interesse. Se vão de carro. Liga o som. Fica o tempo todo mudando de músicas. se você dá sorte, rola uma mão na perna. Às vezes - nem isso. Ele não se arruma mais pra te ver. Você também, não. Perdeu a graça. A paixão apagou. Se vão à pé - é pior. Não tem a música do carro pra distrair. Só o mesmo silêncio de sempre. Tudo deixou de ser interessante. Você deixou de ser interessante aos olhos dele. Talvez, ele até tenha arrumada outra. Mas está tão acomadado com você que não vai te largar. Às vezes não. Mas se aparecer outra mais interessante, ele vai ficar assanhadinho por ela. Pega na mão. Às vezes não. Andar abraçadinho - só se for em caso de vida ou morte. Rir de coisas banais - nem pensar. Estão sempre cansados demais. Chegam na casa dele. A primeira coisa, é ligar a televisão e o computador. Você assiste TV. Ele mexe no computador. Ele cansa, desliga e deita ao seu lado na cama. Às vezes te beija com paixão - o que rende um amor muito gostoso. Às vezes nem te beija direito. Tira sua roupa. Se sacia. Dorme. Te leva embora. Com o mesmo silêncio cortante de sempre. Te dá um selinho. Os dois dormem. Você tenta conversar - é inútil. O silêncio fica cada vez mais insuportável. Você não sabe mais o que fazer. Toda vez que tenta conversar, os dois falam coisas que não deveriam. Os dois se magoam. Estão acomodados com a situação. Você pensa que não foi assim que sonhou. Ele diz que sempre foi assim, que nada mudou. Acomodados demais para fazer algo à respeito. Acomodados demais.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Ana

Sei que, pode ser que algumas pessoas que lerem, podem não gostar, mas eu acehi a letra boa.

O Cristo de Madeira - Ana Carolina

Saiu da cadeia sem um puto
Sol na cara monstruoso
Ele é da alma "trip" dos malucos
Belo, mas nunca vaidoso
Um dia comparado a mil anos
Saiu lendo o evangelho
Vida e morte valem o mesmo tanto
Evolução do novo para o velho
Puxava seus cabelos desgrenhados
Vendo a vida assim fora da cela
Não quis ficar ali parado
Aguardando a sentinela
A vida parecia reticente
Sabia do futuro e do trabalho
Lembrou de sua mãe já falecida
Verdade era seu princípio falho
Pensando com rugas no rosto
Olhava a massa de cimento
A sensação da massa fresca
Transmitia às mãos o seu tormento
Trabalhava, ganhava quase nada
Fazendo frio ou calor
Difícil era quem aceitasse
Um cara que já matou
Se olhou como um assassino
No espelhinho da construção
O que viu foi sua cara de menino
Quando criança com seu irmão
Aonde anda seu irmão?
Em algum buraco pelo chão
Ou frequenta alguma igreja
Chamando a outros de irmãos
Sábios não ensinam mais
Refletiu sua sombra magra
Com o pouco que raciocina
Ele orava, ele orava
Mas o Cristo de madeira não lhe dizia nada
Mas o Cristo de madeira não lhe dizia nada
Mas o Cristo, brincadeira, não lhe dizia nada

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Eu não sei parar de te olhar....

Te olho nos olhos,
e você reclama que te olho muito profundamente. Desculpa.
Tudo o que vivi foi profundamente,
eu te ensinei quem sou
e você, foi me tirando os espaços entre os abraços,
guarda-me apenas uma fresta.
Eu que sempre fui livre, não importava o que os outros dissessem.
Até onde posso ir pra te resgatar?
Reclama de mim, como se hovesse a possibilidade de eu me inventar de novo.
Desculpa, se te olho profundamente,
Rente à pele, à ponto de ver seus ancestrais nos seus traços,
à ponto de ver a estrada muito antes dos seus passos.
Eu não vou separar as minhas vitórias dos meus fracassos.
Eu não vou renunciar a mim. Nenhuma parte.
Nenhum pedaço do meu ser: vibrante, errante, sujo, livre, quente.
Eu quero estar viva e permanecer te olhando profundamente.

(Poema - acho que - de Ana Carolina - pode ser encontrado lindamente recitado por ela no CD Multishow ao Vivo: Dois Quartos - faixa 9 - É isso Aí(The Blower´s Daughter))